videocast: Relatório da INTERPOL
Publicado por Zé Otavio em Maio 19, 2008
No dia 4 de março de 2008, o governo colombiano solicitou apoio técnico à INTERPOL para verificar se o conteúdo de 3 computadores, 3 pen-drives e 2 HDs externos, que supostamente foram encontrados no acampamento onde estava Raul Reyes quando foi morto, no Equador. A Colombia solicitou à INTERPOL que avaliasse se os arquivos encontrados 3 dias antes, no dia 1º de Março haviam sofrido algum tipo de modificação enquanto estavam em posse do governo colombiano.
No dia 10 de março, todo o equipamento foi entregue a especialistas da INTERPOL provenientes da Australia e Cingapura para que executassem a análise técnica solicitada pelo governo colombiano.
doneEm relatório publicado e divulgado na sexta-feira passada, dia 16 de mayo, a INTERPOL divulgou suas conclusões:
1. Todas as evidencias possuiam 609 Gb de documentos, imagens e vídeos
2. As autoridades não seguiram os procedimentos internacionais para coletar e manipular informação digital entre os dias 1º e 3 de março, depois da qual, sob a custódia da Policia Judicial colombiana, os procedimentos foram seguidos até sua entrega aos técnicos da INTERPOL
3. A INTERPOL não encontrou provas de que houve modificação nos arquivos entre os dias 1º de março e 10 de março.
Com relação ao ponto 2, o relatório faz um importante ressalva e uma forte crítica a como os aparelhos foram manipulados, chegando a constatar que entre os dias 1º e 3 de março, houve acessos diretos ao computador e arquivos que foram lidos diretamente a partir dos originais (o correto seria criar uma cópia de tudo, sem manipular diretamente os originais). Essa falha procedimental, ainda segundo o relatório, certamente compromete o uso do material apreendido como prova em um julgamento.
O relatório é explícito em afirmar que nem a origem dos equipamentos (se pertenciam ou não a Raul Reyes), nem a veracidade dos dados contidos nesses computadores foram avaliados por eles, somente se houve ou não modificação de arquivos depois do dia 1º de março. Isso em termos concretos, significa que esses computadores poderiam ter saído de qualquer lugar, inclusive das mãos do governo colombiano. E mesmo que fossem de Raul Reyes, as manipulações executadas entre os dias 1º e 3 de março, os comprometem como evidências legais.
Mais importante do que o próprio relatório, é o uso espetacular que o governo colombiano e a maior parte dos grandes meios de comunicação tem feito sobre os fatos antes mencionados, divulgado as informações que lhes interessam, sem uma verdadeira verificação dessa informação e distorcendo o que o relatório da INTERPOL realmente confirmou e não todas as falhas que apontou.