Z.O. na Berlinda

do Nada para lugar nenhum…

Tocar e Lutar

Publicado por Zé Otavio em Maio 27, 2008

Orquestra Sinfonica Nacional de la Juventud Venezolana Simon Bolivar e o maestro Gustavo Dudamel em apresentacao no Teatro Teresa CarreñoOs músicos da orquestra sinfônica esperam um sinal do maestro para começar a apresentação, ao fundo do palco, uma orquestra cujo único instrumento musical são luvas brancas e os corpos dos instrumentistas. O lugar do espetáculo? O teatro Teresa Carreño, principal teatro de Caracas.

Está orquestra sinfônica foi fundada em 1975 pelo maestro José Antonio Abreu, que tinha como sonho “formar uma orquestra que possibilitasse aos estudantes de música realizar ensaios em grupo”. A orquestra original, que se apresentou pela primeira vez no dia 30 de abril de 1975, era somente a semente de algo muito maior.

O sonho do maestro Abreu e outros oito companheiros que estudavam em um escola de música do Estado, ia além da fundação de uma orquestra juvenil, eles tinham o desejo de “fazer música e a necessidade de criar um programa com características pedagócias próprias e originais, capaz de adaptar a metodologia de ensino existente em outros países” à realidade venezuelana.

De lá para cá, o sonho se consolidou e evoluiu para o que hoje é conhecido como “O Sistema”, ou “Sistema Nacional de Orquestas Juveniles e Infantiles de Venezuela”, um sistema de ensino, organização, participação, integração, criação e execução musical, e que funciona como um organismo vivo, pulsando em 190 núcleos e no coração de cada um dos mais de 300.000 músicos infantis e juvenis que atualmente estão integrados às 290 orquestras e coros infantis e juvenis distribuídas em toda Venezuela, de Güiria à Maracaibo.

“O Sistema” e particularmente a Orquesta Sinfonica Nacional de la Juventud Venezolana Simón Bolivar, composta pelos intérpretes mais destacados do sistema nacional, tem recebido elogios de grandes personalidades musicais e arrancado aplausos em alguns dos principais centros da música erudita mundial.

É emblemático o depoimento de Simon Rattle, diretor principal da Orquestra Filarmônica de Berlim, no documentário (sobre “O Sistema”), “Tocar y Luchar”:

“É uma orquestra de um brilhantismo impressionante. Derramei lágrimas de emoção. É uma orquestra que toca desde algum lugar muito profundo.”

Mais emblemático ainda, é o choro e a fala emocionada de Plácido Domingo depois de escutar uma apresentação do coro e da Orquestra da Juventude Simón Bolívar:

″Eu achava que tinha entrado no Teatro Teresa Carreño. Não acreditava que havia entrado no céu, e escutar essas vozes e orquestras celestiais. A verdade é que nunca tinha sentido uma emoção tão grande.“

A Orquestra da Juventude e seu maestro principal, Gustavo Dudamel, tem chamado tanto atenção que recentemente gravaram um album com um dos mais importantes selos de música erudita do mundo, a Deutsche Grammophon.

A própria história de Dudamel se mistura com a da orquestra. Este jovem maestro de apenas 26 anos é considerado um dos mais talentosos do mundo, e sua educação musical começou desde pequeno, através do sistema de orquestras juvenis e infantis.

O documentário completo pode ser visto no YouTube, ou adquirido pela internet (em espanhol). Coloco abaixo a parte inicial do documentário:

Uma resposta para “Tocar e Lutar”

  1. jonas disse

    magnífico, esplêndido, espetacular…o que mais poderíamos dizer? Só podemos dizer que as palavras supracitadas são apenas vislumbres sobre a descrissão de tal empreendimento tão portentoso como este, que o nosso Pais aprenda com a Venezuela e importe logo este modelo para nós brasileiros. bravo,bravo!!! Jonas

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