Barack Obama perderá eleição para presidente, parte 1
Publicado por Zé Otavio em Junho 7, 2008
Segundo matéria da agencia de notícias Efe da Espanha, publicada no dia 04/06/2008 em vários jornais do mundo, Noam Chomsky, um dos mais respeitados lingüistas e ativistas políticos norte-americanos, prevê que Barack Obama perderá as eleições do final do ano contra John McCain.
Apesar da comoção nacional que a campanha pela “mudança” de Obama vem causando, e de toda repercussão mundial da candidatura do “possível primeiro presidente negro dos EUA”, as prévias na realidade dizem pouco sobre como serão as eleições do final do ano.
Uma coisa é lutar contra Hillary Clinton pelos eleitores do Partido Democrata, outra bastante diferente é competir com um republicano nas eleições gerais, onde o que vale não é a nomeação do partido, mas a Casa Branca e o comando das forças armadas dos EUA.
E lutar por votos nas eleições à presidente se resume em disputar, do total de 51 Estados norte-americanos, somente uns 15, os chamados “Swing States“. Isso se deve à existência de uma divisão mais ou menos clara entre o eleitorado do partido democrata e republicano, sem muito espaço (ou muitas pessoas) no meio do caminho (e menos completamente fora dele).
Para Chomsky, as duas principais dificuldades que enfrentará Obama nessas eleições serão: 1) O racismo, principalmente no sul do país e; 2) A espetacular máquina de campanha e difamação do partido republicano.
E Chomsky alerta, a campanha suja contra Obama ainda não começou. No entanto, já é possível encontrar uma infinidade de matérias e material que tentam ligar o virtual candidato democrata à presidência com um pensamento anti-americano, anti-branco e anti-operário.
O canal Fox News por exemplo, vem veiculando repetidamente imagens do ativista norte-americano, Louis Farrakhan, de mais de 20 anos atrás, em uma clara tentativa de associar Obama a movimentos considerados radicais pela maioria dos votantes. Foi também o canal Fox News que, em janeiro deste ano, desenterrou um pequeno trecho do sermão proferido pelo pastor de Barack Obama, Jeremiah Wright, descontextualizando completamente o que realmente disse o reverendo (para ver o que o reverendo realmente pensa veja esse vídeo).
Fica clara a estratégia dos conservadores estado-unidenses para impedir que um democrata chegue à presidência. E essa estratégia começou com um relativo silêncio e uma certa neutralidade durante as primárias democratas. Para os políticos republicanos, Hillary Clinton seria sem dúvida um páreo mais duro nas eleições gerais do que Barack Obama, alvo fácil de críticas e blasfêmia.
Em primeiro lugar, pelo fato de ser negro em uma nação onde as pessoas se identificam claramente com grupos e raças e predomina um pensamento comunitário (você na sua, eu na minha e não se meta!), em segundo, porque ele tem raízes africanas (o pai dele é queniano e a avó mora lá ainda), em terceiro por relações pessoais próximas com pessoas ligadas ao movimento negro norte-americano, muito críticas do governo e das políticas adotadas pelos EUA. Em quarto, porque nunca serviu no exército, e nesse momento a questão militar é importante para os eleitores e, enfim, muitos outros fatores que podem ser negativamente explorados pela máquina de difamação republicana para tentar construir a imagem de um Obama inexperiente, pouco patriótico, desconhecido, possivelmente radical enrustido, condescendente com governos e grupos inimigos, fraco etc etc etc… o que pode pesar bastante nas eleições, criando medo nas pessoas que ousarem pensar em votar nele.
Ao final do ano, Barack Obama terá sido tão demonizado e sua imagem tão distorcida, que ou ele flexibiliza certas de suas posições e se aproxima a (e se compromete com) políticas neo-conservadoras, o que sem dúvida comprometeria ainda mais a já limitada capacidade de manobra que tem um presidente dos EUA, ou estará liquidado, não só nessas eleições, como também como político.
Concordo com Chomsky, acho que Obama ajuda a garantir maioria na câmara e no senado para o partido democrata, mas perde as eleições para presidente no final de ano. E apesar de ter publicado recentemente um post em que de certa forma critico as posições para a América Latina do Senador Obama, ainda acho piores as posições assumidas (e as não assumidas) pelo senador John McCain. A América Latina não celebrará a esperança que prega Obama…
Atualizado (12/06/2008): Confira a 2a. parte deste artigo
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