Imagens do racismo na Bolívia
Publicado por Zé Otavio em Junho 9, 2008
Sem comentários, sem palavras… alguém ainda consegue ser neutro nessa questão? Alguém ainda acha normal o separatismo santa cruzense? O apartheid na América Latina nunca acabou… e ninguém se importa com isso, acham normal humilhar índios, ameaçá-los, bater neles… o dia chegará, e Tupac Amaru voltará para vingar o sangue derramado dos seus, e espero estar com ele.
Tuya disse
você lê com um tradutor em linha, mas o significado de suas palavras é claro, eu compreendo a sua raiva que é também o meu …. Infelizmente injustiças são universais, mesmo em Itália, com o actual governo, as coisas se deterioraram: é uma situação lamentável, é preciso força de espírito para ir para a frente.
um abraço de Itália,
Maria
Petterson Molina Vale disse
Prezado, infelizmente a realidade da Bolívia é muito mais complexa do que a simplicidade do seu post. Os vídeos não mostram Santa Cruz, mas Sucre, a capital histórica do país, de população majoritariamente indígena, mas ainda sim contra o Evo.
Os vídeos não mostram racismo, apenas manifestações nacionalistas, iguais à que, certamente em muito maior número, fazem os partidários de Evo. Manifestações desse tipo são comuns em todo o mundo, exceto no Brasil, que perdeu há muito qualquer resquício de tradição e ligação à terra.
Não quero dizer que não ha racismo. Existe sim, e é muito forte, mas o problema da Bolívia não é somente esse.
O sangue dos índios era derramado pelos próprios índios, em escala alucinante, se você não sabe, antes da chegada dos espanhóis. Basta viajar um pouco pela parte inca da Bolívia e pelo Peru e ouvir o que contam os guias turísticos. Mas os espanhóis foram altamente sanguinários, não se pode negar.
Não é possível ser neutro, é necessário ser racional. É bem vinda a ascensão do ideal indigenista na Bolívia, mas é triste que o país troque a ingerência dos EUA pela da Venezuela. Não sei qual é pior.
Zé Otavio disse
Petterson,
Obrigado pelo seu comentário.
No entanto, gostaria de fazer algumas observações:
1) esse é um post simples, não tinha nenhuma pretensão de explicar toda a “complexa” situação da Bolívia, nem acreditava que ao publicar esses vídeos o estava fazendo.
2) o post não tinha outro objetivo que mostrar cenas chocantes de como a população indígena está sendo maltratada na base do preconceito racial, algo que você mesmo admitiu que existe.
3) eu não disse que os vídeos eram de Santa Cruz, fiz uma pergunta se as pessoas achavam normal o separatismo santa-cruzense. Mas admito que cometi um deslize ao não colocar abaixo dos vídeos a fonte e se possível o local e a data onde ocorreram.
4) a influência do governo Hugo Chávez na Bolívia é muito menor do que a imprensa brasileira publica ou que as pessoas imaginam. A Bolívia está seguindo seu próprio caminho.
5) quanto aos índios serem sanguinários antigamente, desculpe-me, mas parece um pouco arrogante de sua parte assumir, sem me conhecer, que sabe mais de história americana pré-colombiana do que eu. E de qualquer jeito, essa não é a discussão do meu post, estou fazendo uma observação pontual sobre um fato presente, não tentando explicar todas as razões da violência na Bolívia e na América Latina a partir de sua formação cultural e social.
Petterson Molina Vale disse
Caro Zé Otávio,
não tive a intenção de ser arrogante em meu comentário. E, por sinal, também sou FEAno!
A questão é a seguinte: a direita no Brasil fala muito pouco da Bolívia, exceto se for para criticar a reação do Itamaraty quando da questão Petrobrás. Em geral, não está minimamente preocupada com a situação de nossos vizinhos mais pobres. A esquerda, por outro lado, se preocupa, fala bastante, mas muita bobagem.
É preciso evitar os argumentos simplistas, pois em nada ajudam. Você diz em (2) que os vídeos mostram indígenas sendo vítimas de racismo. Mas não mostram. Eles mostram manifestações nacionalistas daquilo que Evo e a Constituição recém aprovada chamam de “nações indígenas originárias”, que seriam pelo menos 36 em toda a Bolívia. Isso é diferente do racismo existente por parte dos “cambas” (que, grosso modo, se confundem com cruceños, benianos e pandeños) em relação aos “collas”. E mais: alguns cambas são brancos, mas a maior parte deles são indígenas amazônicos, pertencentes a tribos totalmente distintas das tribos andinas. Ou seja, mesmo o racismo camba – colla pode ser de indígena para indígena.
É preciso entender os nossos vizinhos para conseguirmos ter melhores relações com eles e cumprir o papel que cabe ao maior país da região. Mas de violência eles já estão cheios: desde a violência secular dos povos indígenas, passando pela dos espanhóis e chegando aos dias de hoje, em que a cultura do mais forte ainda é muito forte por lá.
Eu tenho sangue boliviano, família na Bolívia e vivi lá durante alguns anos, por isso o assunto é de meu total interesse. Tentei explorá-lo com dois posts no meu blog: http://pettersonvale.blogspot.com/2008/10/situao-da-bolvia.html e http://pettersonvale.blogspot.com/2008/10/situao-da-bolvia.html .
Abraço
Zé Otavio disse
Petterson,
Feitos os devidos esclarecimentos por ambos, gostaria de finalizar (?) dizendo que concordo com seu comentário sobre a simplismo (poderiamos dizer maniqueísmo) com que tanto a direita, quanto a esquerda brasileira tratam do tema.
Mas também gostaria de ressaltar novamente que este é um post simples, sem maiores pretensões que mostrar cenas chocantes, revoltantes, que nenhum ser humano, da direita, da esquerda ou do centro pode aceitar. Ser simples não é o mesmo que ser simplista, e não tenho dúvidas de que meu post entra na primeira categoria.
Este não é um blog acadêmico, portanto não tenho pretensões, como já havia dito antes, de que cada post seja uma obra finalizada e rigorosa sobre um tema específico.
Alguns posts são melhor trabalhados (como por exemplo sobre o Obama) outros são só impressões, comentários ou manifestações primitivas de minha parte, como revolta, admiração, raiva (como no post sobre metas de emissão de gases do efeito estufa) etc. Isso não é desculpa pra não ser rigoroso, e nesse caso da Bolívia não acredito que tenha deixado de ser.
Enfim, obrigado pela discussão, continuamos em outra oportunidade.
Abraço,
Z.O.