Referendo na Venezuela
Publicado por Zé Otavio em Fevereiro 12, 2009

Neste domingo próximo o povo venezuelano vai novamente às urnas, como tem feito em praticamente todos os anos desde 1998, quando Chávez foi eleito presidente.
O que está em jogo dessa vez é a possibilidade de reeleição indefinida para todos os cargos do executivo nacional, desde prefeituras até a presidência da república. Por trás disso, e como foco de todas as atenções, está a possibilidade de que Chávez seja novamente candidato a presidente nas eleições que devem ocorrer em 2012.
Tanto o governo, como a oposição, tem adotado a estratégia de polarizar o discurso, colocando está votação como um marco de apoio ou rejeição ao próprio presidente. Está polarização tem sido ecoada pelos grandes meios de comunicação internacional, de forma a gerar a sensação, de que uma possivel vitória de Chávez representaria a “perpetuação” dele no poder, para usar o termo mais comumente encontrado nos jornais.
A realidade não é essa. Com uma vitória neste domingo, Chávez teria o direito de se candidatar novamente à presidência, em eleições nacionais, tal como o fez em 1998 e 2006. Para continuar no poder após o término do presente mandato, ele deveria portanto sair vitorioso não só neste domingo, algo que é incerto, como também em 2012, o que é ainda mais incerto.
Gostaria de deixar claro que apoio o “Sim”, portanto sou a favor da emenda constitucional que permite a reeleição indefinida, mas também é importante dizer que sou a favor, não como regra geral, mas neste caso em particular dado o histórico e a conjuntura política da Venezuela. Entre as principais razões concretas que posso elencar rapidamente, sem muitas explicações estão, entre outras:
1) A virulência e o facismo da oposição e dos principais meios de comunicação do país, capazes de atitudes extremas como atacar sinagogas fazendo-se passar por simpatizantes do governo, ou inserir mensagens subliminares no fundo de tela durante uma entrevista ao Chávez;
2) A clara manifestação popular, especialmente das camadas menos favorecidas, de apoio ao presidente, ainda que isso tenha que se materializar em votos nas urnas como “maioria” e;
3) Uma vitória do “Sim” reforça o governo para continuar com as transformações que vem realizando até agora e permite, na minha opinião, concentrar as discussões no que de fato precisa melhorar e mudar nesta revolução, e não em debates absolutamente infrutíferos e espetaculares com uma oposição pouco representativa da sociedade venezuelana.
tuya disse
Eu não sinto pena mais.
Espero nunca encontrar a sua mensagem.
Olá